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TOM GRITO

Sem Título [Versão Demo]Jef Lyrio e Sergio Kauffmann
00:00 / 03:30

COMPOSIÇÃO: Tom Grito, Jef Lyrio e Sergio Kauffmann

Caetano Veloso
não é daqui

Caetano Veloso

Não é daqui

Elba Ramalho

Não é daqui

Alceu Valença 

Não é daqui

Os paraíbas

Não são daqui

 

A macaxeira 

Não é daqui

O seu dendê 

Também não é daqui

A Maniçoba

Não é daqui

E o pão de queijo

Também não é daqui 

 

As travestis

Elas não são daqui

Transmasculines

Também não são daqui

Os não bináries

Não são daqui

As Bi, bee e sapas

Também não são daqui

 

Meu território 

Não é aqui

Meu corpo habita

O meu sentir

O meu futuro 

Está por vir

 

O nordestino não é Paraíba

O Favelado não é criminoso

O nosso Rio continua lindo

Xenofobia é um trem horroroso

 

Aliás o trem 

Também não é daqui

Mas o miliciano

Certamente é

Os atrasados

Sempre estão aqui

E os bispos

Que vendem a fé 

As praias lindas

Também são daqui

E o Cristo e seus braços 

Ainda estão de pé 

Vamo marcar,

Ainda tô esperando

Bora marcar

Assim que der

O carioca

É muito maneiro

Caraca maluco

Certamente é

O carioca

Nunca marca nada

E se não desmarca

Atrasado é

Tem violência 

E muita maldade

Xenofobia

Injustiça e fé 

Roda de samba

É nossa verdade

A democracia

Surfa na maré 

O carioca

É um sobrevivente

Mas ama o Rio

Com todas as forças 

E se pudesse

Dar rolê de cria

Te ensinaria

Aqui é rolé

Com o peito cheio de farinha

com o peito cheio de farinha

e um coração de galinha no espeto

amar essa cidade

é ver quase nenhum defeito

é entender que mate, limão, globo, água, coca latão

bala bala xiiiclete

tem a mesma sonoridade que o pagode e o samba

que balanceia o caminhar do trem

e oferece a liberdade de quem manda

aqui não tem ninguém mandado

seja eu, você, a gente, ou nós

esse povo brilha com a própria voz

de quem chia, sibila, sacode a poeira e dá a volta por cima

pura marra de gente maneira

caraca, moleque aqui contagia

tá mec, tá shock, tá show, tá babado

é rolé e não rolê, seguinte,  vou te falar um neģócio, anota esse recado

aqui a gente come bixcoito, não fique afoito, fica suave, tranquilo

carioca, vale o que pesa. e aqui o que se come é aquilo, aquela parada, valeu, falou. 

bem vindes à minha cidade, e se tu é daqui, falô, demorô

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Não sou de ter

Não sou de ter

ritório

Nem vou me ater

risar

Pra me deter

notório 

Bastava a rua 

inar

 

Todo poeta canta pra lua

O carioca dança na rua

Todo profeta prevê dragões 

Se Rio gargalho com multidões 

No tarot ou baralho suas previsões 

Não basta, me Bastos de Magalhães 

Eu mimado

com um copo

custou milhões 

A Manu toca cuíca e 

Nem trupica 

Eu mi Madu e a Aroeira

Mim má Madu Madurá

Madureira

 

Cabô meu pai

Cabô cacique

Nem flor

Nem Ramos

Nem Carambola

De bola, crack

Saiu da Escola

Bolado, avião 

Meu samba de

Aeroporto

Luzia

Na contramão 


Bip bip

Canta canta

Minha gente

Da gema

Da borda 

Do canto

Da Cruz

No reinado

Ou no império 

Sobe a serra

Desce a escola

De Oliveira 

Se lassss

Estivesse

Y voô

Ne lá 

Raiá

Laiá

Raiá

 

Voa

Gam

Boa

O

SAm

Bahh!

Voa

Trabalho

Todo dia

Toda segunda 

É de trabalho

a dor

Me em Penho

Em pencas

Al Freddo

Às pampas

Às Penhas

Al dir 

Blanc 

Balanças 

Aspas abram 

Alas Césamo

Central

Estação 

Primeira

do Carnaval 

Manga rosa

Verde doce

Azul branco

Outra parada

Sem princesa

Resta vila

Natal Noel

Rena Luz

Moa

Voa Meu 

samba

Voa

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TOM GRITO (ele/élu) é poeta. Dedica-se à poesia falada e às micro-revoluções político-sociais onde a poesia incinera, afaga, afeta e transforma.

Pessoa não binárie transmasculine. 

Pioneiro da cena de poetry slams e saraus de poesia no Brasil, participou da fundação do Tagarela (2013), primeiro slam do Rio de Janeiro, e do Slam das Minas RJ (2017), coletivo que recebeu a Ordem do Mérito Cultural do Município por seu trabalho com poesia durante a pandemia. Participa da Rede de Slams do Rio de Janeiro - Slam RJ, desde 2017.

Como slammer, participou de finais nacionais e internacionais. No campo das artes visuais foi

residente de pesquisa em artes do MAM em 2021, atuou como curador de literatura em grandes eventos e festivais de renomadas instituições como Flup, Queermuseu e IMS.

Integra muitas antologias e é autor do livro "Antes que seja tarde: para se falar de poesia" (Editora Malê, 2019) 

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